AS MÃOS DE MINHA AVÓ
Enrugadas, tão macias
O tempo as envelheceu
E as etapas que viveu
Transmitindo segurança
Acariciando a infância
Com meiga caricia terna
E uma bondade eterna
Que merece uma lembrança
Ainda quando piazote
Passeando pelo povoado
E pela mão amparado
Protegido e sem ter medo
E aprendendo desde cedo
Que o amor tem mãos rugosas
A lembrança mais valiosa
Que guardo como um segredo
Alguns detalhes da vida
Se pudermos perceber
Nos farão compreender
A magia e os encantos
E que simples acalantos
Carregados de ternura
São a riqueza mais pura
Transformam-se em amor Santo
As mãos da minha avó eram boas
Dobravam guardanapinhos
Faziam tantos docinhos
Comida bem saborosa
Era muito carinhosa
Eram mãos de pianista
A primeira da minha lista
Minha vovó amorosa
Quando ficava zangada
Ameaçavam com o dedinho
E repreendia o netinho
Pra ficar mais comportado
Com as costas da mão, afofado
Quem dissesse nome feio
E dava um tapa de cheio
Na boca do malcriado
Também faziam crochê
As mãos da vovó bordavam
Quando aquelas mãos pintavam
Nada de profissional
Mas um toque sem igual
Que me deixavam vidrado
Pouco a pouco transformado
Num fã incondicional
Hoje quando eu fecho os olhos
Eu oro e faço um pedido
Que depois de envelhecido
Quando eu for bem velhinho
Todo o amor que novinho
Ganhei com muita paciência
E essa herança, uma ciência
Eu transmita ao meu netinho
Sei que hoje de algum lugar
As suas mãos tão fofinhas
Macias, delicadinhas
Suavidade singela
Anônima ainda zela
Por este neto ao léu
Pois sei que hoje no céu